Como escolher um curso de idiomas

Em uma carreira em ascensão, sempre chega o momento onde conhecer um idioma estrangeiro é a diferença entre crescer ou ficar para trás.

Certa vez, em uma conversa descompromissada, um amigo estava reclamando da quantidade de propagandas indesejadas que recebia por e-mail. Tentei ajudá-lo instalando um sistema anti-spam e, para meu espanto, ao acessar uma das mensagens que ele havia acabado de mover para a lixeira, encontrei um pedido de orçamento, proveniente da Alemanha, em inglês, de uma grande quantidade de seus produtos. Ele não sabia inglês e por isso estava literalmente movendo uma oportunidade para a lixeira, pensando se tratar de uma propaganda.

Em uma carreira em ascensão, sempre chega o momento onde conhecer um idioma estrangeiro é a diferença entre crescer ou ficar para trás. As empresas e profissionais acostumados com o mercado nacional não se dão conta de que, com a internet, as oportunidades internacionais aparecem de uma hora para outra.

Quem não tem domínio de um idioma estrangeiro, em um mundo globalizado, sofre de um horizonte profissional e cultural bastante limitado. Para se ter uma idéia, em todo o mundo, apenas 0,88% dos jornais e revistas são produzidos em português, contra 62% do inglês. Quanto aos filmes, 0,71% são produzidos em português, 34% em inglês e 5% em espanhol. Na Internet, 1,45% das páginas estão em português, 56% em inglês e 7% em alemão.

Com estes números, fica bastante evidente o quanto é maior o universo de informações e a gama de oportunidades de uma pessoa que fala um segundo idioma.

Se você já constatou tudo isso e finalmente decidiu encarar um curso de idiomas, talvez esteja com a dúvida: qual curso escolher? Afinal, o mercado está repleto de escolas e profissionais autônomos, cada um com sua metodologia, material, carga horária, duração, etc. Como em toda área, há instituições sérias e outras que entregam um serviço de qualidade duvidosa. Por isso, preste atenção às seguintes dicas:

Fórmulas mágicas não existem

Ter fluência em um idioma exige treino e dedicação. Não há fórmulas mágicas para aprender muito em pouco tempo, que não signifiquem muito esforço. Aprender a dirigir, andar de bicicleta, tocar um instrumento musical, exige muita prática até que se torne algo intuitivo e natural. Com idiomas não é diferente. Então, fique longe das fórmulas mágicas que oferecem no mercado.

Desconfie de contratos com rescisões pesadas

Algumas escolas têm adotado práticas contratuais e comerciais no mínimo suspeitas. Algumas exigem que todo o material seja adquirido no início do curso. Outras praticam multas rescisórias pesadas. Tais práticas podem prejudicá-lo caso o curso não tenha a qualidade esperada. Portanto, pense bem antes de matricular-se nestas escolas.

Pesquise a reputação da escola

Conheça a experiência de alunos anteriores. A Internet é fantástica para isso. Com uma simples consulta, você pode conhecer mais sobre como a escola trata seus alunos.

Conheça o professor

O conhecimento e a empatia do professor são fundamentais para seu progresso. Portanto, procure conhecê-lo antes de se matricular. Peça informações sobre experiências anteriores e currículos. Veja a possibilidade de fazer aulas experimentais. Isso ajudará na sua decisão.

Não se limite às aulas

Faça tarefas de casa, busque exercitar o idioma em qualquer ocasião. O novo idioma deve se tornar rotina e parte de seus pensamentos. Por mais elevada que seja a carga do curso, você precisará ampliá-la por conta própria. O momento de atividades fora de aula, sem auxílio e interferência do professor, favorece a reflexão e a experimentação do conhecimento e por isso é determinante no ritmo de aprendizado.

Conheça o método

Algumas escolas trabalham com métodos rígidos, que não permitem adaptações aos alunos. Outras têm métodos mais flexíveis. Algumas pregam que a aula seja ministrada 100% no idioma estrangeiro, outras abrem possibilidades para o uso do idioma nativo. Cada característica possui prós e contras. Abaixo estão as mais comuns, acompanhadas de uma análise para que você identifique a que mais condiz com seus interesses.

Tamanho das turmas

É recomendável que as turmas tenham no máximo 6 pessoas. Turmas maiores inviabilizam exercícios de audição e conversação. Nas aulas em turma, a atenção compartilhada do professor prejudica o acompanhamento de alunos com dificuldades. Alunos mais ágeis também podem se sentir desestimulados.

Para exercícios de conversação é recomendável que a turma tenha no mínimo 3 alunos, pois torna a aula mais dinâmica e agradável, uma verdadeira troca de experiências.

Temas e faixa etária

Escolha uma escola com método compatível a sua faixa etária e seus objetivos. Adultos têm metas, interesses e comprometimento muito diferentes de crianças e adolescentes. O que estimula um adulto a adquirir conhecimento é essencialmente o resultado, a aplicação do idioma no dia a dia profissional ou em momentos de lazer social, como jantares, eventos, filmes, etc.

Escolher um método compatível com os objetivos e temas do aluno é fundamental para que seja mantido o interesse.

Aulas individuais

O formato de aulas individuais permite que o professor trabalhe tópicos específicos demandados pelo aluno. É indicado para pessoas com grande urgência ou com dificuldades de horários. Pessoas com facilidade ou dificuldades de aprendizado também são muito beneficiadas pelo acompanhamento individualizado, pois poderão caminhar no seu ritmo.

Nas aulas individuais, o professor fica inteiramente dedicado ao aluno, lapidando cada aresta, tirando suas dúvidas no ato, adaptando o ritmo e o conteúdo a forma de aprendizado.

Apesar de limitar algumas atividades de conversação, as aulas individuais apresentam um ritmo de aprendizagem maior que as aulas em grupo. Imagine uma aula de 1 hora onde 6 alunos falem por somente 5 minutos cada. Somados, os alunos consumiram 30 minutos. Note que metade da aula foi usada e provavelmente não tenha sido devidamente aproveitada individualmente, pois a carga individual de fala foi ínfima. Na aula individual isso não ocorre, pois o aluno fala e ouve na mesma medida.

Geralmente, alunos de aulas particulares podem fazer menos horas de aula e ter o mesmo rendimento de um aluno de turmas grandes, pois sua experiência com o idioma será mais intensa, mais marcante.

Contudo, caso opte por contratar um professor particular, sem o intermédio de uma escola, é importante verificar a formação do professor e seu comprometimento profissional. Infelizmente, há pessoas que apenas por terem morado fora algum tempo, se julgam habilitadas para lecionar, o que é um tremendo engano. Um professor por formação aplica conhecimentos de didática fundamentais, além de dominar as normas cultas da língua. A vivência no exterior, sem dúvida é importante, porém a formação acadêmica e experiência em sala de aula também são imprescindíveis.

Professores nativos

Nativos são excelentes para quem busca treinar conversação. Eles trazem informações regionais que são de extrema valia, além de aplicar o conteúdo que é utilizado de fato, no dia a dia. Contudo, são necessários alguns cuidados.

Assim como nem todo brasileiro fala corretamente o português, nem todo nativo conhece bem o próprio idioma. É comum encontrar professores brasileiros que conhecem melhor a norma culta da língua estrangeira do que alguns nativos.

Cuide também com o regionalismo exagerado. É natural que professores nativos evidenciem o sotaque e gírias de seu local natal, mas isso pode virar um problema quando é transmitido como a única forma possível ou a forma correta. No espanhol, por exemplo, existem inúmeras diferenças de pronúncia e vocabulário. Afinal são mais de 20 países que falam o idioma, cada um com sua cultura.

Professores brasileiros conhecem nossas dificuldades de aprendizado e conseguem criar novas explicações e conexões com o nosso modo de pensar e nossa gramática. Portanto, se busca apenas treinar sua conversação, professores nativos são uma boa opção. Caso contrário, prefira os professores brasileiros.

Imersão

Nesta modalidade de curso, um grupo de alunos fica isolado em um hotel, casa ou chácara, durante algumas horas ou até dias, onde é proibido falar português. O aluno passará o período como se estivesse em solo estrangeiro. Irá aprender a comunicar-se em várias situações, sociais como um almoço, uma conversa telefônica, entrevistas de emprego, entre outras ocasiões, tudo no idioma de interesse.

As imersões são uma forma diferente de aprendizado e fixação que atraem cada vez mais pessoas. São interessantes para alunos de todos os níveis. Porém, é mais caro e exige que a pessoa se ausente de suas atividades diárias durante um período.

Uso da gramática em aulas

Quase ninguém gosta de regras, é verdade. Mas sem elas, tudo se torna um caos. O mesmo ocorre com os idiomas. Sem aprender gramática, o aluno constrói frases ambíguas ou sem sentido e às vezes nem percebe. Não consegue estabelecer uma comunicação de qualidade.

Há escolas que não abordam o ensino da gramática e passam a falsa imagem de que um idioma independe de regras ou de que você aprenderá com a mesma naturalidade de uma criança.

Uma criança, por ter sua estrutura mental ainda vazia, pode aprender facilmente apenas por conversação, pois absorve todo tipo de dado do exterior. Já um adolescente ou adulto, inevitavelmente adaptará o novo conhecimento a estrutura lingüística pré-existente, tornando o processo de absorção mais complexo e lento. Trabalhar somente exercícios de conversação não atende a essa necessidade e por isso não é recomendável para adolescentes e adultos.

A gramática é necessária para mostrar a lógica por trás das palavras e para que você um dia possa comunicar-se com qualidade, em ocasiões formais.

Estudo individual em cabines

Algumas escolas adotam método de estudo individual em cabines, com auxílio de um professor e com total flexibilidade de horários. Esse método é bastante interessante para alunos dedicados, pois seu estudo será um vôo solo, porém assessorado. Sua grande vantagem é a flexibilidade. O aluno ganha na autonomia e perde no conteúdo. Pode ser interessante para pessoas muito disciplinadas e sem necessidades específicas de aprendizado.

O tempo de aprendizado depende da dedicação do aluno. O trabalho em aula é importante, mas trazer o idioma para o dia-a-dia é decisivo para diminuir o tempo de aprendizado. Alguns exercícios podem ser prazerosos, como ver um filme sem legendas ou traduzir músicas, etc.

Também é muito recomendável que reflita sobre qual idioma você realmente deseja aprender. O inglês é o idioma dos negócios, mas também existem muitas oportunidades para quem sabe espanhol, alemão, italiano, mandarim, francês, etc. Assim como você pode escolher uma profissão por vocação, também tem total liberdade de escolher o idioma que te desperte paixão e interesse.

Lembre-se: em suas pesquisas, centre-se na qualidade do curso, mesmo que isso signifique investir um pouco mais em curto prazo, pois certamente significará economia de tempo e dinheiro em longo prazo.

Fixe sua meta e mãos à obra! Analise qual a sua real disponibilidade de tempo para dedicar-se ao idioma e encontre uma escola que tenha um método que se adéqua ao seu objetivo de aprendizado, a sua disponibilidade de tempo e que haja sintonia entre você e o professor. A jornada é longa, mas a recompensa é gratificante. Pode apostar!

Por: Sheila Krepsky e Daniel Rodrigo Bastreghi, Administradores.com.br, 27 de julho de 2010, às 11h31